Palavras Domesticadas

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Revistas Legais- Violão e Guitarra Especial - Baianos


A revista Violão e Guitarra era especializada em trazer letras de músicas e cifras para violão. Mas também trazia edições especiais com textos, abordando temas, mas sempre trazendo letras cifradas. Uma dessas edições especiais foi sobre os baianos, mais especificamente Caetano, Gil, Gal e Bethânia. A revista traz uma boa pesquisa de textos, extraídos de antigas revistas, jornais e livros, dando uma ênfase especial ao Tropicalismo. A publicação é de 1978.
Logo na apresentação, a revista fala do início de carreira dos personagens em destaque:
"No início era o Teatro Vila Velha, Salvador, depois veio o show "Opinião", no Rio, "Arena Canta Bahia" e "Tempo de Guerra", em São Paulo. Época da suavidade de "Coração Vagabundo" e "Um Dia" e da agressividade de "Carcará". Vieram os festivais e o sucesso. E os baianos agradaram, agrediram, polemizaram(...)"
A revista traz muitas fotos, algumas delas bem antigas, que ilustram bem os temas tratados, como a vinda dos baianos para o Rio, seus primeiros shows, a criação do Tropicalismo, etc. Foi nessa revista que pela primeira vez li , na íntegra, o famoso discurso de Caetano, ao enfrentar as vaias, enquanto cantava "É Proibido Proibir" no festival em 1968, além de trazer uma série de depoimentos, e trechos extraídos de importantes livros sobre o Tropicalismo e MPB em geral, como "Música Popular - De Olho na Fresta", de Gilberto de Vasconcelos, além de várias citações de revistas da época. A discografia dos quatro baianos é comentada, além de citações aos Doces Bárbaros, que em 1976 os reuniu num show de sucesso, que percorreu o Brasil, chegando a ser filmado em um documentário, que mostra não só os shows, como também a prisão de Gil em Florianópolis, por porte de maconha.


Como o Tropicalismo é um dos assuntos tratados em maior destaque na revista, há uma sessão trazendo uma curta biografia de outros personagens que participaram do movimento (nem todos baianos), como os letristas Torquato Neto e Capinan, o maestro e arranjador Rogério Duprat e o guitarrista Lanny. Como pontos falhos da revista, posso citar a ausência de referências a Tom Zé (uma falha imperdoável em se tratando de matéria sobre o Tropicalismo), e um erro de informação, ao atribuir a Gilberto Gil a parceria com Jorge Mautner em Maracatu Atômico, cujo verdadeiro parceiro de Mautner na música é Nelson Jacobina. No mais é um bom documento.

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