Palavras Domesticadas

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domingo, 4 de novembro de 2012

Revista-Poster - Frank Zappa (1986)

Nos anos 80 havia uma revista especializada em música e equipamentos chamada Somtrês. A revista, que era mensal e lançada pela editora Três, publicava também uma série de revistas-posters contando a história de artistas e bandas de rock. A revista ao ser desdobrada formava um grande pôster gigante, medindo 1,10x 0,80. O texto contava a história, trazia discografia, fotos e comentários sobre o artista ou banda em questão. Tenho diversas delas: Deep Purple, Led Zeppelin, Pink Floyd, Janis Joplin, Peter Frampton, Stones, The Who, Jetho Tull, Jean-Luc Ponty, Rod Stewart, Sioux & The Banshees e muitos outras. A revista-poster de Frank Zappa, além do texto usual (biografia, discografia, fotos, etc) trazia também uma série de frases ditas pela língua ferina e sábia de Zappa. Na época, 1986, ele ainda era vivo (ele morreria em 93). O texto de apresentação diz:

“Num tempo em que tudo é descartado, a música de Frank Zappa se impõe como um oásis num deserto – água, afinal! Se a nossa época produziu algum gênio musical capaz de ser comparado aos grandes mestres, este gênio é Frank Zappa. Que outro compositor é capaz de escrever, sempre com a mesma competência, de estúpidas canções de amor a instigantes peças orquestrais, passando pelo blues, rock, reggae, funk, jazz, tango, numa produção estupenda?
Até agora esse compositor contemporâneo tem a seu crédito 43 álbuns, dois filmes e três vídeo-concertos. Ele nunca para de trabalhar, nunca tira férias: quando não está excursionando com sua banda, está em seu estúdio, a Cozinha de Pesquisa da Utilidade de Bolinho, no porão da sua casa em Laurel Canyon, Los Angeles.

Este poster comemora os 20 anos do lançamento de Freak Out, o primeiro álbum dos Mothers, e é dedicado a todos os filhos da Mãe Superior, onde quer que eles estejam.”
Abaixo, transcrevo o pensamento de Frank Zappa, destacado no texto da revista-poster:
Sobre os punks: “Você acha que eu posso ter uma conversa coerente com alguém com um alfinete de segurança enfiado na bochecha?”
Sobre as feministas: “Penso que elas são estúpidas. Se colocar contra os homens é mesmo uma estupidez. Acho ridículo as mulheres pensarem que são realmente boas e acho ridículo os homens pensarem que são superiores, porque homens e mulheres são estúpidos. São todos uns bundas-moles.”
Sobre a guitarra: “Eu penso em mim como um compositor que tem a guitarra como instrumento principal. Muitos compositores costumam tocar piano. Bem, eu não sou pianista, então obviamente, por causa das limitações técnicas da guitarra versus o piano (em termos de notas múltiplas, etc), o que eu componho é determinado pelo meu interesse pela guitarra.”

Sobre a crítica: “Pessoas que mexem com crítica de rock’n roll fazem parte da máquina que empurra a idéia de que a maior quantidade de vendas equivale à melhor música. E se alguém faz um álbum sem querer que ele venda bilhões de discos de platina, isso é compreensível para o crítico médio, porque ele acredita que qualquer um que não joga o mesmo jogo ou é maluco ou é perigoso ou ambos.”
Sobre a música comercial: “Creio que uma pessoa que faz música – mesmo a mais grosseira e comercial – deve estar fazendo isso porque tem gente que consome essa grosseria comercial. E quem faz esse tipo de música desempenha uma função necessária para o público que precisa desse entretenimento. Só porque eu não sou consumidor dessa coisa, não é motivo para fazer campanha contra. Mas, se isso está dando prazer para alguém, então está legal.”
Sobre a sua música: “Penso que o que fazemos hoje é bastante drástico com relação ao que está acontecendo. Nós tocamos melodias, composições rítmicas difíceis, e fazemos tudo errado – estamos totalmente contra a corrente da música atual. Mas isso não parece estranho, porque estamos mexendo com valores musicais verdadeiros. Hoje existem muitos grupos considerados de vanguarda que não estão lidando com fatores musicais – estão lidando com fatores literários. Certos grupos que parecem de vanguarda têm montes de papéis explicando seus ethos, você sabe, para dar a eles uma razão para existir. E a imprensa adora isso, porque não é música, são palavras, algo com que a imprensa pode lidar. Mas é tudo falso, não há nada por trás disso.”

Afinal, qual é a sua? : “Eu não estou aqui para entreter todo mundo, só aqueles que gostam do que eu faço. Aqueles que não gostam do meu trabalho, gostam de outra coisa. A minha música é participatória. A música deve interagir com a pessoa que estiver escutando. O que faço não é planejado para reforçar o seu estilo de vida. O que eu faço vem de um lugar diferente, não é um produto. Eu tenho alguma coisa para dizer, e tomo cuidado com a preparação do material.”

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