Palavras Domesticadas

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Rita Lee em Atafona


Comentar shows de artistas como Rita Lee às vezes se torna uma tarefa um tanto difícil, pois são personagens que modificaram o panorama musical de seu país, fizeram história e se tornaram lendas vivas. É o caso de Rita. Ter feito parte da mais criativa e influente banda brasileira, os Mutantes, e em seguida ter sobrevivido a sua saída do grupo, um tanto traumática para ela, e ter realizado um trabalho solo dos mais marcantes do rock tupiniquim dos anos 70 não é qualquer coisa.
Seus discos dos anos 70, da fase em que atuava com sua excelente banda de apoio, Tutti-Frutti, estão entre o que de melhor já se produziu no rock brasileiro. A partir de 1979, quando dissolveu sua banda de apoio, e passou a compor e até dividir os holofotes com seu marido, o guitarrista Roberto de Carvalho, sua carreira deu uma guinada. Passou a ter um acento mais pop e menos rock, embora suas composições não tivessem perdido o tom irreverente, uma de suas marcas desde os tempos dos Mutantes. Os fãs de antes, como eu, torceram um pouco o nariz, para a nova fase de Rita, pois em suas novas composições faltava aquela pegada rock'n roll, bem característica em seu trabalho. Mas mesmo nessa fase, reconheço, não faltaram boas composições, já que Rita, como todo bom hit maker, nunca perdeu a manha e ainda conseguia aliar popularidade e qualidade. Sem dúvida, nessa fase - nos anos 80 - sua carreira, em termos comerciais, experimentou um crescimento considerável, mesmo sendo ela na fase anterior uma artista de sucesso.
Por isso, os fãs antigos como eu, ou aqueles que não viveram o melhor de sua fase rock'n roll, mas que conheceram depois, e se tornaram fãs, não deveriam esperar que o melhor de Rita fosse apresentado no show. Não me decepcionei porque fui para assistir a um grande show, de alguém que traz toda uma história, e uma carreira marcada por fases distintas.
O show iniciou com Flagra, de sua fase pop, aliás, um de seus maiores sucessos, que foi até tema de abertura de uma novela das sete da Globo. A empatia com o público, que logicamente, em sua maioria era formado por uma geração que conheceu Rita nessa fase, foi imediata. Em seguida, Rita pinçou de seu antigo repertório dos anos 70, uma de suas melhores composições em minha opinião, Luz Del Fuego. Para mim, um assumido fã das antigas, foi o melhor momento do show. A inclusão dessa músic, logo no início, deu a mim a impressão que haveria um equilíbrio entre as duas fases de sua carreira, mas ao longo do show vi que ela preferiu apresentar sua fase de maior sucesso. Não faltaram hits como Chega Mais, Banho de Espuma, Doce Vampiro, Buana Buana, Lança-Perfume, Amor e Sexo e tantas outras. Houve até a participação de um cover de Michael Jackson, fazendo sua performance no palco . Um bom momento do show foi Obrigado Não, uma de suas boas composições da fase recente, quando aproveitou para falar de política, eleições, e dos recentes escândalos de Brasília, não poupando o governador Arruda com um sonoro “filho da puta”, bem merecido, por sinal. Da fase Tutti-Frutti, como não poderia deixar de ser, ela cantou Ovelha Negra, mas ficaram faltando outros sucessos, como Esse Tal de Roque Enrow, Mamãe Natureza, Corista de Rock, Babilônia, Miss Brasil 2000, e tantas outras, além de alguma coisa dos Mutantes.
Em termos de produção, o show esteve impecável, com painéis no fundo do palco, que projetava imagens e efeitos visuais bem interessantes, inclusive fotos de Rita em diferentes fases de sua carreira. Uma chuva de papéis metalizados também proporcionou um belo efeito visual. Uma linda e deslumbrante lua cheia foi uma colaboração extra para o belo visual da noite.
O que falar de um show de Rita Lee? No palco estava uma lenda viva, num show bem produzido que conseguiu levantar o público e fazer um show profissional. Era ela, Rita Lee, e isso basta.

2 comentários:

  1. Olá, acompanhe notícias sobre os shows de Rita Lee no blog do Fã Clube oficial:
    http://ritalee.blog.terra.com.br

    Bjs

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