Palavras Domesticadas

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Revolver, de Walter Franco - texto do encarte do vinil


Em 1975, o compositor Walter Franco lançava um dos melhores discos de música brasileira que já ouvi, Revolver (não confundir com Revólver). Na edição em vinil, a capa trazia abaixo do nome do artista e do título do álbum, os respectivos nomes em braile, além de na contracapa trazer também em braile a palavra sim. Segundo Walter, a palavra SIM escrita em braile era para passar uma mensagem positiva caso algum cego pegasse em seu disco. Na parte interna havia um encarte com as letras, fotos, uma frase de Gandhi, e um texto do próprio Walter Franco. Como a edição em cd (que eu também possuo) não traz essas coisas, resolvi transcrever o texto de Walter, que faz parte do álbum.

"Não fique mudo agora. Intuição sabe que me pega e me faz sair para a rua de novo. Isso já vai pra dois anos e tanto mas eu gosto mesmo é do número três. Soma. A palavra exata é sim. Toma ar. E eu vou mostrar a minha música como quem joga bolas de gude talvez porque eu tenha uma estória assim. Era uma vez um menino que passava o tempo todo ouvindo os toques de um sino de uma igreja toda branca diferente das outras igrejas dos outros planetas onde outros meninos que gostavam de embocar bolas de gude nos buracos redondos que eles mesmos faziam e eles mesmos... mas essa estória eu sei vai terminar fazendo nenhum barulho porque o silêncio é uma coisa santa mas hoje não consigo então vou tocar e vou mexer muito com as palavras e com as pessoas porque me ensinaram que aoi significa azul em japonês."

2 comentários:

  1. "Misturação" é desse disco não é??
    Genial... "Eu quero que esse teto caia...."

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  2. Não. Essa música é do disco anterior, "Ou Não?", aquele que tem uma mosca na capa.

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