Palavras Domesticadas

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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Revista Rock Espetacular Especial - Genesis (1977)

Em maio de 1977 a banda Genesis faria alguns shows históricos no Brasil. Na época não era muito comum recebermos grandes nomes do rock internacional. O rock progressivo vivia um período de grande sucesso, apesar do movimento punk, que renegava todo aquele aparato sonoro e visual, já eclodira e mostrava força no panorama da música. Em 1975, Rick Wakeman, outro representante do Progressivo havia feito shows de enorme sucesso no Brasil, e talvez por isso os empresários que trouxeram o Genesis tenham se animado ainda mais a trazer a banda inglesa, uma das representantes mais marcantes do rock progressivo no mundo.
Dessa vez, os shows seriam ainda mais grandiosos, pois a banda faria uma parceria com o Projeto Aquarius, que era o resultado de uma iniciativa do jornal O Globo e a Orquestra Sinfônica Brasileira, para promover concertos de música erudita em espaços públicos, como a Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. A proximidade da música erudita com o rock progressivo levou os organizadores da vinda do Genesis a terem a ideia viável e a criatividade de unir as duas vertentes musicais num único espetáculo. Conforme mostra o anúncio acima, o Genesis fez shows em Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo, as duas primeiras cidades em duas datas, e em São Paulo em quatro shows (dois no Anhembi e dois no Ibirapuera).
A revista, lançada em função da vinda da banda ao Brasil, conta a história do Genesis, fala de cada músico e traz comentários e discografia, além de trazer um poster da banda. Como minha edição foi adquirida em um sebo, fiquei sem este ítem. Peter Gabriel, já havia deixado a banda dois anos antes, e o baterista Phil Collins assumia os vocais. Por isso foi necessária a presença de um novo baterista, Chester Thompson, um músico americano de estúdio, bem conceituado no estilo jazz-rock, e que já havia tocado no grupo Mothers of Invention, de Frank Zappa. Antes de Thompson, quem ocupava a bateria era o ex Yes e King Crimson, Bill Brufford.
Em seu texto de apresentação a revista diz: "Little Richard, Bo Didley e Chuck Berry, se vissem o Genesis, provavelmente não gostariam. Ou, pelo menos, não reconheceriam nele o som daquilo que criaram, há mais de duas décadas: uma língua chamada rock'nroll. E não estariam sós. Os críticos americanos costumam rotular a música do Genesis de 'glacial'. E muita plateia, principalmente nos Estados Unidos, já interrompeu seus concertos aos gritos de 'toca um rock!'
No entanto, o Genesis toca rock. E tem um público fidelíssimo, certo, que compra seus discos em quantidades suficientes para que se transformem em ouro e platina, - um público principalmente inglês, europeu, e bastante brasileiro, também. Não é de estranhar. O Genesis é um grupo-padrão da terceira geração do rock. Na verdade, é um dos maiores e mais característicos representantes dessa geração de músicos e compositores que chama a música que fazem de 'rock' - mistura e resultado final de muitas coisas. Antes deles, havia o rock'nroll. E, depois, uma sucessão de acontecimentos musicais e extra-musicais que foi assim agitando, misturando, perturbando, até sacudindo: Beatles, Stones, os jovens ingleses descobrindo os blues, os herois da guitarra, Hendrix, a paz-e-amor, a New Left, San Francisco, Swingin London, os festivais... No fim da década, às vésperas de Woodstock, isso tudo precisava de um nome. E o rock nasceu, de direito e de fato."
Os shows do Genesis, com formação de Phil Collins, Steve Hackett, Mike Rutherford, Tony Banks e Chester Thompson, foram apoteóticos (a foto acima, ainda com Peter Gabriel, logicamente não são dos shows). Pela primeira vez o Brasil recebia um show com efeitos visuais a laser, uma novidade então, algo até primário se compararmos com hoje em dia, com os efeitos visuais feitos por computador e tecnologias das mais avançadas. Mas a verdade é que a música, o visual, a parceria do Genesis com a Orquestra Sinfônica Brasileira, com regência do maestro Isaac Karabstechevsky representou um espetáculo de uma grandiosidade histórica e única, ajudando a quebrar preconceitos, tanto do público de música erudita com relação ao rock, e vice-versa.

10 comentários:

  1. Prezado Márcio, tenho sorte de ter ido tanto a este show como o do Rick Wakeman, e tenho a revista com textos da Ana Maria Bahiana, se não me engano e o poster também, Só corrigindo a participação da OSB foi só com o Rick Wakeman, com o Genesis não.
    No Rio, no Maracanazinho foram duas récitas nos dois dias de show, tudo lotado.
    Boa lembrança Luiz Zamith

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  2. Realmente é um privilégio ter assistido a esses grandes shows. O show de Wakeman também foi resenhado nesse blog. Se quiser dar uma olhada é só pesquisar. Com relação à informação sobre a participação da OSB nos shows do Genesis, na revista há uma referência a essa parceria, por isso publiquei. Agradeço sua visita ao blog, e essa informação importante. Grande abraço, Luiz

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  3. Prezados Marcio de Aquino e Luiz Zamith,
    Cheguei aqui via Google e moro em Belo Horizonte atualmente. Também tive a oportunidade de ver três dos quatro shows do Genesis no Rio de Janeiro, no Maracananzinho, nos dias 14 e 15/05/77. Eu e alguns conhecidos assistimos ao último show assentados no chão em frente ao palco. Foi demais. Nessa oportunidade, um fotógrafo da revista O Cruzeiro acabou tirando uma foto do nosso grupo que acabou fazendo parte desta matéria. A revista saiu uns vinte dias depois. Infelizmente o meu exemplar acabou se perdendo. Sou fã do Genesis desde esta época e gostaria muito de ter esta matéria, mesmo que escaneada. Sabem onde posso encontrá-la?
    Um abraço.
    Alexandre Alvim

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  4. Parece que a revista não foi a O Cruzeiro mas a Manchete

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    1. Infelizmente não tenho como lhe ajudar. Abraço

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  5. Ola Marcio acrescentou boas informações as quais, não conhecia. Gosto do Genesis desde criança valeu pela informação pois ela se torna valiosa para alguém como eu que gosto da banda e nunca pude vê-los ao vivo.

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  6. Ola Marcio acrescentou boas informações as quais, não conhecia. Gosto do Genesis desde criança valeu pela informação pois ela se torna valiosa para alguém como eu que gosto da banda e nunca pude vê-los ao vivo.

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  7. Valeu pelo comentário e pela visita. Um abraço

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  8. eu fui no show do Genesis no Maracananzinho, foi meu primeiro show de rock, eu tinha então 16 anos. Imaginem para um adolescente estar ali na apresentação, até então mais sofisticada visualmente, lembro até hoje das projeções de laser e do duo de bateria do Phil Collins e do Chester Thompson, inesquecível.

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    1. Foi realmente um show histórico em termos de inovações cênicas. Não estive lá, mas lembro dos comentários de quem foi

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