Palavras Domesticadas

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domingo, 17 de abril de 2011

Billie Holiday - Lady Sings The Blues


Nos anos 80 havia um tabloide informativo publicado pela editora Brasiliense intitulado Primeiro Toque, que a editora enviava gratuitamente a quem solicitasse. O informativo trazia anúncios dos lançamentos da editora e trazia um cupom para vendas pelo correio. Naqueles tempos pré-internet, o Primeiro Toque funcionava como um site, onde os livros da editora eram resenhados, e o leitor poderia fazer contato para opinar e dar sugestões através de cartas. Fiz muitos pedidos de livros por esse canal.
Em sua edição nº 14 o Primeiro Toque trazia em destaque um ótimo lançamento da editora, a biografia da cantora de jazz Billie Holiday, intitulada Lady Sings The Blues. O interessante é que na tradução para o português se optou em preservar o título original em inglês. Quem fez a resenha do livro foi o jornalista Antonio Bivar:
"Billie Holiday era da pá virada. Quando ela nasceu, o pai tinha 15 anos e a mãe 13. O pai ainda usava calça curta! O velho teve que esperar três anos para juntar dinheiro para comprar a calça comprida necessária à cerimônia de casamento.
Um livro que começa contando isso promete emoções de conto de fada. Lady Sings The Blues é um conto de fada às avessas. Tem muito mais vida que as obras completas dos Irmãos Grimm. Na tradição dos melhores textos sobre o jeito de viver americano desde Mark Twain e a Cabana do Pai Tomás. A autobiografia da maior cantora de jazz de todos os tempos é um barato, saborosíssima. Finalmente traduzida para os leitores brasileiros, sem dúvida vai ser um dos livros mais lidos do ano.
Billie arrebata o leitor, nessa viagem pelos 41 anos dos 44 que viveu. O livro é também fundamental para se entender o jazz como arte original norte-americana. Além do humor e da revolta com que narra uma vivência trágica. Billie, desde menina, não gostava do nome com que fora batizada: Eleonora. Moleca de rua, circulava com os meninos, daí o Billie. Bill, diminutivo de William, Guilherme, Bill, Billie.
Sapeca, negra, pobre - antes da puberdade já trabalhava como faxineira num bordel ( o único lugar nas redondezas onde havia uma vitrola - ela trabalhava para poder ali mesmo ouvir os discos de seus ídolos, Bessie Smith e Louis Armstrong - , prostituta, encarou uma barra nada leve até iniciar a carreira de cantora. Prisões, hospitais, reformatórios, álcool, sexo, música, drogas pesadas (heroína, morfina). A barra pesada foi o seu caminho, sempre. Um dia lá em cima, ganhando milhares de dólares, outro dia lá em baixo, voltando para a casa da mãe de mãos vazias e arrasada.
Ela morreu doente, sofrendo do coração e do fígado, dependente de drogas, em 1959. Na maior solidão. Deixou cerca de 300 músicas gravadas. De sucessos de Cole Porter até composições dela mesma, como as maravilhosas Strange Fruit, Good Bless the Child e Don't Explain, jamais superadas."

2 comentários:

  1. Tenho o livro e alguns cds.
    Deu um vontade repentina de escutá-la folheando o livro apreciando, sobretudo, as belas fotos.
    Fui!

    ;)

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  2. Lady Sing The Blues é uma bela obra. Folheá-lo ao som de Billie é melhor ainda.

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