Palavras Domesticadas

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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Caetano - 70 anos

Hoje Caetano Veloso completa 70 anos. Um de nossos mais brilhantes compositores, cuja carreira é repleta de polêmicas e surpresas, de versos inspirados e melodias ricas e criativas, chega aos 70 anos em pleno processo criativo, interagindo com novos músicos, e produzindo uma música que ainda soa moderna e atual.
Um dos líderes de um movimento que trouxe uma inovação no panorama de nossa música, o Tropicalismo, e sempre buscando novos caminhos e trazendo ousadia e renovação para nossa música, Caetano ao longo de sua carreira se manteve num patamar que o coloca ainda hoje como uma referência em termos de criador e renovador.
Logicamente, por sua personalidade polêmica e contestatória, canalizou antipatias, e por isso está longe de ser considerado uma unanimidade. Suas constantes brigas com órgãos de imprensa, suas declarações ferinas a respeito de diferentes assuntos e pessoas públicas, muitas vezes fazem com que muitas pessoas confundam seu talento musical incontestável com esse lado às vezes não muito simpático de sua personalidade, e ele seja criticado também como compositor. A verdade é que Caetano foi para minha geração um ícone, uma figura das mais representativas no aspecto musical e cultural. Discos como Transa, Qualquer Coisa, Joia, Muito, Cinema Trancendental, e mesmo o ousado e contestatório Araçá Azul marcaram muito a década de 70.
Aliás, naquela década o poeta e crítico Augusto de Campos falou de Caetano: "O que ele fez, faz, está fazendo para ou pela música popular brasileira não há mais quem ignore. Ele explodiu a canção, levando-a a caminhos jamais palmilhados entre nós. Revolução. Depois da Bossa Nova (um movimento 'joia'), Tropicália (um movimento 'qualquer coisa'). Proibido proibir: sons em liberdade. Navegar é preciso:o deconhecido. Tudo comer: antropofagia. Metapoesia e metamúsica: nos discos e nos shows a melhor crítica-em-ação da música popular feita e por fazer."
Há exatos vinte anos, ao completar 50 anos, o crítico Tárik de Souza escreveu sobre Caetano no Jornal do Brasil: "Seu coração não se cansa de ter a esperança de um dia ser tudo o que quer. Com essa profecia em forma de letra, numa ponte cerzida por violão entre bossa-nova e respectiva descendência em Coração Vagabundo, Caetano Veloso traçou seu plano de voo num disco de estreia tardia em 1967, dividido com Gal Costa. Uns dois ou três anos antes, desde quando o show Opinião importou Maria Bethânia da Bahia, para substituir Nara Leão, o irmão-compositor de De Manhã, Um Dia, O Cavaleiro e Avarandado começou a marcar a MPB. O regionalismo baiano durou menos que um disco. Em 1967 mesmo, ele já instaurava as bases do Tropicalismo numa visão universalista dessa úmida cultura equatorial. No Dia Que Eu Vim Me Embora era a recusa da herança retirante e Alegria, Alegria, junto com Baby , Superbacana e Saudosismo, o tíquete-refeição no banquete tecnológico do Primeiro Mundo. Note-se que os biscoitos finos de Caetano nunca rejeitaram o PF brega de massa, a partir de Coração Materno, de Vicente Celestino."
Ao completar 70 anos, Caetano comprova a longevidade de uma geração que ainda não foi superada pelas posteriores, ao contrário, serve de referência e inspiração para quem veio depois. Apesar dos inegáveis talentos musicais que têm surgido ao longo dos anos, aqueles novos e promissores músicos, letristas e intérpretes surgidos nos anos 60 ainda são imbatíveis e atemporais, como Caetano.

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