Palavras Domesticadas

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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Revista Zorra - O Rock do Brasil

Em 1986 o mercado musical brasileiro era dominado pelo rock. As bandas que fizeram sucesso nos anos 80 estavam em seu auge, e muitas outras surgiam, sempre com um olhar atento das gravadoras. O BROCK, como também ficou conhecido o rock brasileiro produzido naquela década, dominava a mídia, e assim apareceram algumas publicações especializadas no gênero. Uma delas, de vida curta, apenas três edições, foi a revista Zorra, publicada pela editora Imprima, especializada em música, como aquelas revistinhas de cifras, para quem se inicia no violão, e sua principal publicação, a revista Música, que circulou durante muitos anos. O número 1 traz uma matéria de capa com os Titãs, que naquele ano deram uma guinada em sua careira, lançando Cabeça Dinossauro, um dos discos mais festejados e aclamados do BROCK. Além dessa matéria, a revista falava de grupos como Camisa de Vênus, Fellini, Capital Inicial, TNT (banda gaúcha)e Lulu Santos.
O número de 2 trazia na capa Raul Seixas, que na época vivia um momento de ostracismo, mas ainda ocupava seu lugar no cenário do rock brasileiro, por tudo que havia produzido ao longo de sua carreira. A matéria, na verdade uma entrevista, era introduzida pelo texto: "Raul Santos Seixas, baiano de Salvador, onde nasceu a 28 de junho de 1945, está de volta após mais uma relativa ausência do eterno processo que comanda os destinos da indústria do show-bizz: o binômio disco-shows. Raul Seixas, a lenda viva, o primeiro e maior roqueiro do Brasil, idolatrado por várias gerações, amado por milhares, execrado por alguns poucos, esquecido - tal qual um fóssil pertencente a um passado distante - por outros. Raulzito, sempre controvertido, polêmico, provocador(...)."
Na época, cerca de três anos antes de sua morte, a saúde de Raul já não andava bem, principalmente por sua relação com o álcool. A primeira pergunta da entrevista é justamente sobre seu estado de saúde. E ele responde: "A minha saúde sempre foi motivo de grandes fofocas, especialmente por parte da imprensa marrom. Tudo isso é uma grande bobagem. Eu nunca estive seriamwente doente. Atualmente eu continuo bebendo, mas só cerveja, porque eu parei de tomar uísque. Mas eu bebo como qualquer pessoa bebe. E eu nunca fiquei doente por isso".Até pode ser que Raul na época tenha maneirado na bebida, mas todos sabem que ele pegou pesado no álcool. É normal as pessoas quando entrevistadas atenuarem certas situações. Talvez tenha sido o caso. A revista ainda traz matérias com a banda Zero, Violeta de Outono, Obina Shock e uma entrevista com Nasi.
O terceiro número traz uma matéria de capa com Cazuza, que estava lançando seu primeiro álbum-solo, após sua saída do Barão Vermelho. O Barão também lançava seu primeiro álbum sem Cazuza, Declare Guerra. Na matéria de seis páginas, Cazuza fala sobre sua saída da banda que o projetou: "A separação foi algo necessário porque o Barão queria mais espaço e eu também. O líder era o Frejat, mas eu era a pessoa que mais aparecia. Eu fazia todas as letras, cantava. Então aconteceu. O Barão precisava de mais espaço e eu de mais liderança". A revista aind traz matérias com Ultraje a Rigor, Kid Vinil & Os Heróis do Brasil, Engenheiros do Hawai e Finis Africae.
É interessante perceber que na época, apesar de vivermos melhores tempos musicais, a situação econômica do país, ao contrário, não era das melhores. A inflação galopante pode ser percebida nos preços entampados nas capas das revistas. O nº 1 custava Cz$ 18,00, o nº 2 Cz$ 40,00 e a nº 3 Cz$ 55,00. Contrariando os nostálgicos, nem tudo eram flores.

2 comentários:

  1. Eu tinha o volume dessa revista, mas com o tempo simplesmente sumiu. Tens o pdf deles digitalizado?

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  2. Infelizmente não tenho a revista digitlizada no momento.
    Grande abraço

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