Palavras Domesticadas

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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Paulo Leminski: O Mundo Acabou em 1925

Atitude, a última obra de arte possível do século quer nasceu futurista transformou o redondo em quadrado no cubismo, arrepiou os cabelos com o expressionismo, transformou a arte em utilidade na Bauhaus, transformou sonhos em realidade no surrealismo e dinamitou tudo nessa Armagedon que foi o movimento Dadá (Cabaré Voltaire, 1916)
Depois do dilúvio e do apocalipse, só artesanatos. A arte, a Grande Arte acabou com a 1ª Guerra Mundial e a Revolução Russa.
Toda a arte do século XX é mero artesanato, nenhum passo além das vanguardas entre 1908 (futurismo) - 1925 (surrealismo).
A grande arte do século XX é o cinema, arte tecnológica e de feitura coletiva dependente em tudo de inovações industriais (som, cor, cinemascope, som Dolby, vídeo-cassete), coletivamente feito, coletivamente consumido.
Os europeus, letrados, inventaram nos anos 60 o "cinema de autor", (Godard, Resnais, Malle, Antonioni), filmes assinados, até caligraficamente, como um poema ou um livro. Bobagem: que seria de um filme de Fellini sem a trilha sonora de Nino Rota?
Os americanos, mais à vontade no século XX, nunca tiveram dúvidas.
O grande John Ford ficou surpreso quando foi recebido em  Paris pelos críticos dos "Cahiers du Cinéma" como um gênio. Ele sempre se considerou apenas um eficiente empregado dos grandes estúdios de Hollywood.
Como o cinema, síntese de artes, a arte no século XX só progrediu nos seus "fronts" tecnológicos. Novos instrumentos na música.
A Grande Arte já foi toda feita. É um gigantesco lixo donde a humanidade criativa agora extrai a matéria-prima reciclada para expressar a sensibilidade e produzir emoções.
Na literatura, a mais conservadora das artes, tudo já estava feito mais ou menos aí por 1925.

                                                                                                                               Paulo Lemisnki

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