Palavras Domesticadas

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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Allan Sieber na revista Inked



Sempre gostei de revistas alternativas, que falam de variados assuntos, com uma linha editorial interessante, que tragam boas matérias, entrevistas com pessoas que tenham algo a dizer, etc. Tenho várias nesse estilo, algumas que duraram poucos números, que não se encontram facilmente nas bancas, que descobri em viagens, e resolvi comprar. Recentemente avistei uma nas bancas, fiquei curioso, folheei, e resolvi levar. Vi que era o primeiro número que ia às bancas, e isso reforçou minha decisão de levá-la. Gosto de iniciar uma coleção de determinada revista logo pelo primeiro número, se ela valer a pena. A revista se chama Inked. Abaixo do título vem a descrição da linha editorial adotada: Cultura, Estilo, Arte. O número um só traz matérias sobre pessoas tatuadas, aliás, supertatuadas, que falam sobre suas vidas e suas tatuagens. Não sei se a revista é especializada em tatuagens e tatuadores, ou se é somente um tema especial, que pode mudar em outras edições. A capa traz a cantora Pitty, que é destacada com uma matéria e um ensaio fotográfico, feito num hotel barato em SP. Outras matérias destacam artistas plásticos, esportistas, um chef de cozinha, um pastor de igreja e lutador de vale-tudo, um ex-jogador de futebol e ator de Hollywood (Vinnie Jones), um grupo de homens fortes e mal-encarados que defendem animais maltratados, uma stripper e pin-up americana (Dita Von Teese, a ex- do roqueiro Marilyn Manson), um grupo de uma facção criminosa fotografado num presídio, dentre outras matérias. Todos os personagens exibem enormes tatuagens pelo corpo, com excessão da stripper, cuja única tatuagem se resume a uma pintinha no rosto, que até parece de nascença. Mas a melhor matéria da revista pra mim, é uma entrevista com Allan Sieber, um cartunista e quadrinista gaúcho, atualmente radicado no Rio. Sempre gostei de seu estilo e seus personagens. Possuo algumas coisas produzidas por ele, como um fanzine com suas tiras, chamado Glória Glória Aleluia, além de coisas que ele produziu para diferentes publicações. Também assisti um curta-metragem de animação produzido por ele, cujo título me esqueci agora. A entrevista é bem interessante. Logo de cara ele critica aquele bairrismo típico do gaúcho: “O gaúcho gosta muito de ser gaúcho e quase não se sente brasileiro”. Ao mesmo tempo ele detona o carioquismo que ele encontrou no Rio: "Com o tempo, eu vi que no Rio também tem essa merda: o povo tem orgulho de ser carioca. Tem orgulho do pôr-do-sol no Arpoador e das praias e das montanhas...(faz cara de entediado). Isso me enche um pouco o saco. Mas eu gosto de morar aqui. Não que eu não vá à praia. Eu até vou, mas fico até 8h30 da manhã. Depois não dá, depois chegam, os cariocas". Atualmente está desenvolvendo um trabalho com seu pai, que também desenha. "Para falar a verdade, a gente nunca teve muito contato. Meu pai era muito, muito ligado ao meu irmão mais velho, que fugiu de casa quando tinha 15 anos, naquela onda hippie que chegou meio atrasada ao Brasil. Daí, meu pai ficou decepcionado e decidiu não investir muito no outro filho. A gente quase nem se falava quando eu era pequeno, eu só levava esporro. Então, eu não sabia muito dele. Só fui descobrir fazendo as entrevistas para o livro. Vendo hoje em dia, acho que comecei a fazer esse livro justamente para conhecer melhor o meu pai." A matéria ficou bem legal. A primeira entrevista de Allan Sieber que eu lembro de ter lido.

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