Palavras Domesticadas

Palavras Domesticadas

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A Invasão Inglesa - Anos 60

Nos anos 60 aconteceu um fenômeno no mundo do rock, que acabou fazendo parte da história do gênero. Trata-se da "britsh invasion", como ficou conhecido o surgimento de inúmeras bandas inglesas no mercado musical, que desembarcariam nos EUA. Até aproximadamente a metade dos anos 60, o rock - um estilo musical que nasceu nos Estados Unidos cerca de dez anos antes, era predominantemente dominado por artistas americanos. Porém rapidamente a música produzida por grupos britânicos começou a ganhar o mundo, surgindo com força e demarcando seu território.
The Animals
A primeira geração do rock - Bill Halley, Gene Vincent, Eddie Cochran, Chuck Berry, Little Richard, e principalmente, Elvis Presley desencadeou uma revolução na juventude mundial. A visita de alguns desses astros à Inglaterra acabou provocando o surgimento de várias bandas por lá, muitas delas já produzindo um trabalho próprio. Londres e Liverpool eram os dois grandes centros musicais ingleses, de onde surgiam várias bandas. Londres por ser a capital, e Liverpool por ser uma cidade portuária, onde os marinheiros que vinham dos Estados Unidos traziam na bagagem discos de rock e rhythm & blues que demorariam a ser comercializados, e alguns nem chegariam a sê-lo. Dessa forma, o ambiente musical em Liverpool era bem agitado.
The Who
Esse detalhe ajudaria no surgimento de vários grupos amadores e semiprofissionais. Segundo se conta, em Liverpool havia a quantidade fenomenal de cerca de 350 grupos, sendo o mais popular deles um quarteto de nome The Beatles.
Marianne Faithfull
Os Beatles desembarcariam em Nova York em 1964, e conquistariam o mundo rapidamente. Entre 1964 e 1965 uma série de outras bandas inglesas seguiriam o mesmo caminho, encorajadas e estimuladas pelo sucesso de seus conterrâneos. Os Rolling Stones se tornariam outro fenômeno mundial, e outras bandas inglesas também fariam sucesso nos EUA, como The Dave Clark Five, Herman's Hermits, Pretty Things, The Searchers, The Animals, Billy J. Kramer, Peter & Gordon, Gerry & The Pacemakers, The Swingin'Blue Jeans, Manfred Mann, The Zombies, The Kinks, Marianne Faithfull, Petula Clark, The Yardbirds, The Who, Them (banda de Van Morrison), The Moody Blues, dentre outros.
The Kinks
A força de penetração das bandas inglesas nos Estados Unidos era tão intensa (basta ver o número de bandas que citei acima) que em maio de 1965, no auge da "invasão inglesa" somente um grupo americano ficaria entre os dez principais sucessos - exatamente na 10ª posição - os Rightous Brothers. Nesse período as duas principais bandas inglesas, Beatles e Rolling Stones já se constituiam como os dois principais nomes do rock mundial, e outras bandas, como The Who e Yardbirds, por exemplo, já faziam um trabalho que os transformaria em uma parte importante na história do rock.

domingo, 13 de maio de 2012

É Campeão!

Mais um título do Fluminense. Mais uma vez o time se mostrou eficiente em partidas decisivas, anulando as jogadas de ataque do Botafogo, que iniciou a partida com toda disposição, já que uma vitória de no mínimo três gols de diferença, que levaria a decisão para os penaltis era o único resultado que interessava ao alvi-negro. Na verdade o título foi ganho na primeira partida, quando a goleada por 4X1 que o Flu impôs praticamente definiu o campeonato. Uma derrota por até dois gols de diferença já daria o título ao tricolor, mas um título comemorado com derrota não tem o mesmo sabor, e a vitória seria a melhor forma para se soltar o grito de campeão. Numa bola cruzada pela esquerda por Carlinhos, o mesmo jogador que deu o passe para o gol da vitória do último título do clube, o Brasileiro de 2010 (gol de Emerson), Rafael Moura desviou a bola para o fundo das redes. Jogando com o ataque reserva, mas que poderia ser titular não fosse Fred e Wellington Nem em grande forma, o Flu mostrou que um bom elenco precisa de um banco de reservas que mantenha a qualidade da equipe. Ao lembrar dos títulos estaduais me vem à memória o primeira título que vi o Fluminense ganhar, em 1969, quando aos nove anos vi o Fuminense vencer o Flamengo por 3X2, numa partida emocionante, que acompanhei pelo rádio, na casa de minha tia. O Flu fez 1X0, o Fla empatou. O Flu fez 2X1, o Fla empatou, e finalmente a vitória por 3X2 veio nos pés de Flávio, conhecido como o "Minuano", relativo ao vento que varre o território gaúcho, já que Flávio é do sul. Vendo imagens daquele Fla X Flu pelo Canal 100, que era um tipo de documentário que se fazia dos jogos dos campeonatos estaduais, e que passava nos cinemas antes dos filmes, aparecia a figura do presidente Médici, que apesar de ser um ditador cruel e sanguinário, gostava de passar uma imagem populista, torcedor do Flamengo e do Grêmio de Porto Alegre. Quando vi aquelas imagens fiquei imaginando que aquela derrota do Flamengo, contrariando nosso ditador nas tribunas de honra, é como se simbolicamente fosse uma forma de também contrariar a ditadura. Logicamente, o Flamengo nada tem a ver com a ditadura militar, mas só de imaginar aquele general filho da puta e calhorda voltando pra casa contrariado até hoje me dá uma espécie de felicidade.
Lembro de ter lido uma crônica de Nelson Rodrigues, memorável como tantas outras, exaltando a vitória tricolor, e em uma daquelas tantas expressões que o maravilhoso Nelson criou, ele dizia: "Essa vitória já estava escrita há dez mil anos". Eu, uma criança de nove anos, sem ainda entender o espírito rodrigueano, embora gostasse de ler suas crônicas esportivas, pensei comigo: "Então ele já sabia que o Fluminense ia ganhar".
Todos os títulos estaduais têm um sabor especial para mim, e sempre acabo me lembrando daquela alegria que tomou conta daquele menino que fui, e que já sentia um amor especial pelo Fluminense. Lembrar dos títulos que acompanhei na minha infância, e dos jogos que ouvia aos domingos junto a meu avô, que era torcedor do América, é como recordar dos natais da infância, que são mais bonitos. Hoje me permito ser criança novamente, e vibrar com mais um título. É bom olhar a bola balançando as redes como o olhar de criança, e gritar novamente: "É campeão!

sábado, 12 de maio de 2012

Ney Matogrosso - Show "Bandido" (1977)

Ney Matogrosso é um dos artistas mais profissionais desse país. Seus shows são detalhadamente estruturados em todos os detalhes: palco, som, iluminação, figurino, etc. Quem já assistiu a algum show de Ney (eu já o assisti duas vezes) sabe que o palco é a sua casa, um lugar que ele domina e se sente à vontade. Isso vem de longe, desde o tempo dos Secos & Molhados, e continuou em sua carreira solo, a partir de seu primeiro show, "O Homem de Nanderthal", em 1975. Esse cuidado se extende a seus discos, cujo repertório é escolhido de forma bem criteriosa. Em 1977 Ney realizou o show "Bandido", baseado no repertório do disco homônimo, um dos melhores de sua carreira. Na ocasião o crítico Eduardo Athayde, do jornal Hit Pop escreveu a resenha abaixo:
"É muito difícil para um artista reproduzir num show o mesmo clima de um disco. Quando não são as dificuldades técnicas, o clima invariavelmente é outro. Estas dificuldades se acentuam mais ainda quando o artista em questão passa a ser Ney Matogrosso. Pois em seu show Bandido no Teatro Ipanema (Rio) é uma agradabilíssima surpresa, não só pela qualidade técnica (som, luz, banda, cenários, etc, como também pela chance que dá a Ney de referendar tudo quanto vinha afirmando de algum tempo para cá. Em seus shows anteriores, Ney pecava por transformar em necessidade quase neurótica a imposição ao público de silêncio e total atenção. O que ele mais desejava era ser levado a sério, no que de mais pejorativo possa ter o significado da palavra. As pessoas deveriam manter rígido controle sobre as emoções para aplaudir tão somente ao fim de cada número. E isto era ruim. Dono de uma voz privilegiada, postura cênica perfeita e senhor dos mais variados recursos de dança moderna, faltava a Ney assumir o deboche. Criativo.
Assim, nesta temporada, uma plateia jovem e entusiasmada tanto delira com as interpretações magníficas de Metamorfose Ambulante, Airecillos, América do Sul, Gaivota, etc., como se diverte (e muito) com o sensual strip-tease ao som de Boneca Cobiçada e com os passeios bem 'teatro de revista', no melhor estilo Cinelândia de Mr. Matogrosso. Esta dosagem entre sério e o deboche fazem de Bandido uma das melhores cosas da temporada."

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Blood, Sweat & Tears - Uma Banda Inovadora

A banda Blood, Sweat & Tears nasceu da ideia de Al Kooper, um músico experiente que fez parte do The Blues Project, sendo também colaborador de Bob Dylan, do trio folk Peter, Paul & Mary, e figura central nas carreiras de Mike Bloomfield, do Lynyrd Skynyrd e muitos outros músicos. Apesar de ser seu formador e idealizador, Kooper permaneceu na banda somente durante alguns meses, tempo suficiente para definir o estilo que marcaria o Blood, Sweat & Tears. Mas na verdade esse afastamento foi apenas parcial, pois após participar do primeiro álbum do B,S&T, Child Is Father To The Man, de 1968, Kooper atuou como arranjador no álbum seguinte, que levava o nome da banda. Esse álbum fez um enorme sucesso, ficando sete semanas entre os discos mais vendidos. Dentre os sucessos do álbum podem-se destacar You've Made Me So Very Happy, Spinning Wheel e Andy When I Die. Esse álbum, de 69, impulsionaria a carreira do B,S&;T: ficaria entre os 40 álbuns mais vendidos por quase um ano e meio, com mais de três milhões de cópias vendidas, e foi premiado com o Grammy de melhor disco daquele ano.
Os álbuns seguintes - Blood, Sweat & Tears 3 (1970) e B,S&T 4 (1971) mantiveram a mesma linha musical dos trabalhos anteriores e ótimos índices de vendagem. Quando, no título dessa postagem afirmo que o B,S&T é uma banda inovadora, é principalmente pelo uso de muitos metais, e arranjos que fogem ao estilo tradicional do rock, trazendo algo de jazz. Por isso muitos críticos incluem a banda entre os precursores do jazz-rock, embora seu estilo não seja exatamente o fusion praticado por bandas do estilo.
Os vocais de David Clayton-Thomas, dono de uma voz marcante, caracterizavam bem o estilo do B,S&T e com sua saída da banda, muita gente achou que houve um abalo em seu trabalho original. Mas a verdade é que a banda procurou ser fiel ao seu som de origem, idealizado pelo visionário Al Kooper ainda nos anos 60, até encerrar suas atividades nos anos 80.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Beto Guedes Lança Contos da Lua Vaga - 1982

Beto Guedes é um dos nomes mais representativos daquele grupo de artistas mineiros que ficou conhecido como o "Clube da Esquina". Compositor inspirado e músico dos mais competentes, Beto consolidou seu nome ao gravar discos marcantes, como "A Página do Relâmpago Elétrico", "Amor de Índio", "Sol de Primavera" e "Contos da Lua Vaga", dentre outros. Quando estava lançando este último, em 1982, a revista Música nº 59 fez uma matéria com o músico mineiro, assinada por Tetê Ribeiro: " 'Não sei se sou tímido ou inibido, sei que não gosto de falar muito'. É assim que se define o mineiro de Montes Claros, Beto Guedes, quando entrevistado. O espaço entre as curtas respostas e a longa parada para pensar na pergunta formulada são mais do que suficientes para captar a simplicidade do menino apaixonado pelos Beatles, por sua terra, por sua gente sempre presente na sua obra. Beto nasceu ouvindo e fazendo música, primeiro através de seu pai, Godofredo Guedes - que toca sax, clarineta, lê e escreve música - e depois através dos soins dos violeiros e rádios sertanejas. E como qualquer jovem da sua geração, Beto viveu com intensidade o momento da 'beatlemania', passando a absorver toda a informação daquela época; e ainda, principalmente, dos Rolling Stones, Dylan, Yardbirds, Byrds entre outros. Essa forte influência iria se manifestar mais tarde no trabalho de Beto Guedes e, em parte, explica o ecletismo do seu som extraído dos 7 instrumentos que toca - violão, guitarra, baixo, piano, bandolim, flauta e bateria. Agora, depois de passar dois anos sem gravar ou fazer shows, Beto Guedes começa os ensaios para as muitas apresentações que fará pelo Brasil, divulgando Contos da Lua Vaga, seu quarto elepê pela gravadora Emi-Odeon.
'Esse disco nasceu desse espaço-tempo, em que vivi dos direitos autorais e me dediquei à família, minha mulher Silvana e a meus filhos Gabriel e Ian, nesses dois anos pesquei muito, tive muito tempo para pensar, sobrou tempo para longas conversas nos bares em Belo Horizonte e muitos passeios pelo Rio São Francisco. Então Contos da Lua Vaga nasceu de todo esse clima'. O grande momento na vida musical de Beto Guedes aconteceu quando, através de Márcio e Lô Borges, conheceu Milton Nascimento. Posteriormente, em 1970, experimentaria grande emoção quando 'Feira Moderna', de sua autoria, foi classificada no FIC, na interpretação do Som Imaginário. Veio para o Rio no mesmo ano, onde morou com Milton. Em 1977 Beto iniciou sua carreira solo, não se distanciando, porém, dos mineiros. 'Existe todo um desenrolar do trabalho do Milton, do pessoal do 'Clube da Esquina', formado por umas 15 a 20 pessoas que ainda têm um certo cuidado com a cidade. No trabalho isolado de cada um existem pontos comuns a todo o grupo. Todos estão presentes no trabalho do outro. Neste meu últmo disco participaram Wagner Tiso, Toninho Horta, Flávio Venturini, Vermelho, Tavinho Moura, Luiz Guedes e meu pai, Godofredo Guedes. Também toda a minha vivência, coisas da minha vida mesmo, estão presentes no meu trabalho. Não como uma necessidade de colocar as coisas, mas a concepção melódica tem muito a ver com as minhas origens, local onde nasci, etc'."

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Andy Warhol - O Rei da Pop Art

Ao se falar em pop art, o primeiro nome que nos vem a mente é o de Andy Warhol. Figura polêmica e atuante na cena alternativa das artes nos anos 60, Warhol deixou seu nome marcado na história como uma das personalidades mais representativas daquele período tão rico e revolucionário. A pop art, movimento em que Warhol exerceu um inquestionável reinado, se tornou uma escola no mundo das artes, e trazia em seu conceito a repetição de imagens de ícones da cultura e contracultura, imagens de histórias em quadrinhos, peças publicitárias, fotomontagens, etc. As primeiras manifestações de pop art podem ser consideradas já em 1956, quando foi realizada uma exposição cujo tema era a atriz Marilyn Monroe, uma das imagens mais massificadas na época.
Segundo se conta, quem batizou o estilo de pop arte foi o crítico inglês Lawrence Alloway, em 1955, mas o termo só se tornaria popular alguns anos depois, já na década seguinte. Designer de vitrines de extremo sucesso em 1956, Warhol já naquela época demonstrava um forte poder de comunicação através de seus trabalhos, e revelava um grande talento para se expressar através de seus trabalhos em serigrafia, em que usava uma técnica na qual reproduzia imagens de ícones da cultura, política, quadrinhos e demais áreas em que algumas figuras públicas se destacavam, como a já citada Marylin Monroe, Elvis, Liz Taylor, Jackie Kennedy, Mao Tsé Tung (apenas uma imagem), além de objetos e logomarcas como Coca-Cola, o dólar e a embalagem das sopas Campbel's, um de seus trabalhos mais famosos. Também retratava criminosos procurados pela Justiça, desastres automobilísticos, cadeiras elétricas, etc. Warhol chegou a realizar alguns filmes experimentais, a maioria tediosos e chatos, como "Sleep", mostrando uma pessoa dormindo por seis horas e "Empire", que mostra o edifício Empire State Buiding, num único ângulo. Sobre esse tipo de filme que produzia, um dia ele declarou: "Eu gosto de coisas chatas".
Seu atelier, muito frequentado por artistas, amigos, curiosos e malucos de toda espécie tinha o nome de "Factory", e era de lá que brotavam suas ideias e saíam suas obras. Em 1968, um dos membros de sua corte, que tinha atuado em um pequeno papel em um de seus filmes, tentou matá-lo a tiros. Valerie Solanas, uma das muitas pessoas piradas que faziam parte desse grupo de seguidores, fazia parte de uma organização feminista chamada "Sociedade para Castração dos Homens", e se declarou explorada por Andy. Ferido com gravidade, o artista conseguiu escapar, e viu a mística em torno de seu nome crescer após o atentado. Andy Warhol teve uma estreita ligação com a cena do rock, sendo autor de algumas capas de discos, como a que traz a famosa banana que aparece no primeiro álbum do Velvet Underground, grupo por sinal, com o qual manteve uma relação profissional mais presente do que apenas como autor de uma capa de disco. Chegou a promover shows da banda, no circuito alternativo. Outra capa famosa de Warhol é a de "Stick Fingers", do Rolling Stones. Também trabalhou com David Bowie.
Lennon retratado por Warhol
Warhol morreu em fevereiro de 1987, em Nova York, aos 58 anos. Além de ser reconhecido como um inovador nas artes plásticas, se celebrizou pela frase em que se refere à cultura de massas dizendo que num futuro as pessoas se tornariam famosas por quinze minutos. A expressão "quinze minutos de fama" é muito utilizada até hoje, embora nem todos saibam sua autoria.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Jimi Hendrix em Quadrinhos

Em 1995 foi lançada na Inglaterra e Estados Unidos uma biografia ilustrada de Jimi Hendrix. Tratava-se do livro "Voodoo Child, The Illustrated Legend of Jimi Herndrix". A história do maior guitarrista de todos os tempos é ilustrada por Bill Sienkiewicz, que dentre outras obras, assinou "Elektra Assassina", considerada uma obra-prima dos quadrinhos. Não tenho notícias sobre o lançamento do livro no Brasil. Na ocasião o jornalista Tom Leão escreveu sobre o lançamento:
"Saiu na Inglaterra e Estados Unidos a biografia quadrinizada 'Voodoo Child, The Illustrated Legend of Jimi Hendrix' (Penguin Books) criada e produzida por Martin I. Green e ilustrada por Bill Sieniewicz, que lembra os 25 anos sem o genial reinventor da guitarra elétrica, que morreu em Londres, em 18 de setembro de 1970. O livro é um projeto de Green, que levou muitos anos para concretizá-lo. Será o primeiro de uma série registrada como 'Bio-Graphics', realizada pelo estúdio de arte americano Berkshire.
O artista escolhido para ilustrá-lo, Bill Sienkiewicz, é um dos maiores artistas de graphic novels do momento. No seu longo currículo destacam-se o belo trabalho feito para a série 'Elektra Assassina', de Frank Miller - pelo qual ele ganhou o cobiçado prêmio Yellow Kid. Atualmente, Bill faz animações para a série de TV 'Where in The World is Carmen Sandiego?', que vai pasar na Globo. Fora seu luxuoso acabamento, a qualidade do texto (que usa referências de trechos de letras de Hendrix intercalados com dados biográficos) e as ilustrações, o livro traz ainda um brinde inestimável: um cd contendo seis músicas tiradas de uma fita cassete que registrou ensaios de Hendrix em seu estúdio, Eletric Ladyland, em Nova York, por volta de abril de 1968. Estas músicas nunca foram editadas ou mostradas em público.
Elas captam um momento muito especial de James Marshall Hendrix, que gravou as músicas sozinho, sem overdubs ou instrumentos de fundo. Esboços de clássicos que estariam por vir, como 'Hear My Train A'Comin'' e uma abertura alternativa para 'Voodoo Chile' estão lá, por baixo de ruídos de fita amassada e interrupções (os editores optaram por não adulterar o material original). Até mesmo um telefone tocando (que não é atendido) soa no fundo de 'Gypsy Eyes', a faixa que encerra o cd. Mas o melhor momento é 'Angel', que apesar de crua, resulta belíssima. A 'bio-gráfica' resume os momentos mais marcantes da vida de Jimi, que nasceu em Seatlle, em 27 de novembro de 1942, batizado a princípio Johnny Allen Hendrix. Só aos três anos é que ele ganhou seu nome oficial. O dom artístico surgiu na escola, quando pintava 'paisagens marcianas'. Sua descoberta da guitarra aconteceu aos cinco, quando ouviu o instrumento pela primeira vez. Ficou enfeitiçado. Desde então, ele sabia qual seria o seu destino. Em seus poucos anos de glória, Hendrix deixou de queixo caído a boca aberta mais da metade dos maiores roqueiros da história, e, certamente, influenciou a maioria deles. De Clapton aos Beatles, do Who aos Stones, todos sentiram o toque mágico do divino negão. E o rock nunca mais foi o mesmo. Nem nunca será."