Palavras Domesticadas

Palavras Domesticadas

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Led Zeppelin, Woodstock e Tropicália num mesmo pacote


Hoje chegaram mais três livros que eu havia encomendado: Led Zeppelin- Quando os gigantes caminhavam sobre a terra, Woodstock e Tropicália.
O primeiro é uma edição de luxo, com capa dura, cerca de 550 páginas e um apêndice com fotos em papel couché. A trajetória do Led Zeppelin é esmiuçada, pelo menos o grande número de páginas assim sugere. Aliás, a Larousse Editora, responsável pela publicação no Brasil, também lançou dois outros livros com a mesma qualidade gráfica, sobre Beatles e Rolling Stones. Creio que sejam um ótimo documento histórico para os interessados em bandas clássicas de rock.
Woodstock, o segundo livro, é um que eu estava me cobrando há muito tempo, já que foi lançado por ocasião dos 40 anos do Festival de Woodstock, no ano passado. A resenha que eu li sobre a obra, e a opinião de quem já leu, me sugerem que é uma excelente obra sobre o lendário festival de rock. Traz relatos minunciosos não só sobre os shows, como os bastidores do evento. Muito já foi falado, comentado, especulado e inventado sobre Woodstock, mas creio que esse livro traga informações reais e precisas sobre fatos ocorridos antes, durante e após os três dias de agosto de 1969, quando ocorreu o festival. Também traz boas fotos. Espero lê-lo em breve.
Tropicália faz parte de uma série chamada Encontros, da Azougue Editorial. Folheando o livro vejo que se trata da reunião de textos já publicados anteriormente em livros, jornais e revistas. Para quem, como eu, já possui um grande material sobre o assunto, corre-se o risco de esse tipo de livro trazer matérias e textos que já se tenha. Por exemplo, existem duas ou três transcrições do livro Balanço da Bossa e Outras Bossas, de Augusto de Campos, que já possuo, e talvez mais uma ou outra matéria que já tenha lido. Mas reler também é válido, e além do mais, a grande maioria dos textos reunidos são inéditos pra mim.
Espero brevemente poder ler essas aquisições, e quem sabe, comentar aqui.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Tropicália em vinil


Na próxima sexta-feira, dia 16 vai acontecer a primeira Noite do Vinil “pra valer” do ano. Na sexta anterior, apenas apresentamos a nova casa que vai abrigar esse projeto, que já entra em seu terceiro ano. Como não havia um tema específico, e ainda estávamos arrumando a casa e pesando os prós e contras que qualquer mudança traz, aquela noite nos serviu de teste para avaliarmos fatores como qualidade e distribuição do som, adequação do espaço físico do bar para o evento, atendimento, etc. Logicamente surgiram algumas falhas, que poderão ser corrigidas, e talvez outras venham a acontecer, mas nosso principal objetivo com essa mudança é oferecer um melhor atendimento aos frequentadores em potencial das noites de boa música que temos a oferecer. Muita gente estava insatisfeita com o atendimento do bar anterior, e deixou de prestigiar o evento, e estava havendo um esvaziamento, que acabava se refletindo na disposição de nós, organizadores, para continuarmos com o projeto.
Agora, de casa nova, o Relicário Bistrô, na Avenida 28 de Março, 48 - em frente ao Isepam, esperamos recuperar aquele entusiasmo dos primeiros tempos. O primeiro tema a ser apresentado vai ser o Tropicalismo. O tema foi bem escolhido, pois está acontecendo no Sesc Campos uma mostra relativa a esse movimento musical, em que a audição de discos de vinil também faz parte da programação, porém o formato em que se encaixa é totalmente desfavorável. O tempo de audição é muito curto, na prática, não chega a 40 minutos, pois por ser antes dos shows das quintas, e no mesmo ambiente, os músicos têm que passar o som, testar o palco, etc. Assim, o tempo de uma hora, que já era reduzido, fica ainda menor. Mal dá pra rolar um único disco. Por isso foi acertada a decisão de levarmos para a Noite do Vinil o que seria impraticável apresentarmos no Sesc. Levarei algumas pérolas tropicalistas, como o álbum Tropicália – o disco coletivo, que serviu como manifesto do movimento, além de discos de Caetano, Gil, Gal, Tom Zé e Mutantes. Sexta, dia 16, a partir das 22h.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Blow-Up


Em junho de 1967 a revista O Cruzeiro trazia uma boa matéria sobre o então novo filme de Antonioni, Blow-Up, que acabou virando um filme cult, e que de vez em quando é exibido em sessões especiais de film-art ou em cine-clubes. Eu mesmo assisti a uma exibição de Blow-Up em 2008, no antigo cine-clube que acontecia aos sábados no Palácio da Cultura, por ocasião da morte de diretor.
A matéria apresenta o novo filme como “uma explosão nas brechas da nossa moral”, e traz informações que eu desconhecia, como por exemplo, que o filme anterior de Antonioni havia sido o grande concorrente do nosso O Pagador de Promessas, que ganhou por pouco o Festival de Cannes, em 1962. Depois disso Antonioni ficou cinco anos sem filmar. O filme também apresenta uma antológica cena da banda Yardbyrds com Jeff Beck na guitarra, tocando em um pub londrino.
Alguns trechos da matéria:
“Finalmente depois de cinco anos de espera, Michelangelo Antonioni, o mais discutido diretor cinematográfico da atualidade, que perdera por pouco, em 1962, com seu esplêndido filme “O Eclipse” para o nosso “O Pagador de Promesas”, conquistou o guardião máximo do Festival de Cannes, pela direção de Blow-Up.
O nome de Michelangelo Antonioni é sempre notícia no mundo do cinema, tanto para os críticos como para as plateias. E agora, muito mais, depois que o gênio recebeu a Palma de Ouro das mãos da atriz italiana Virna Lisi, por seu último filme “Depois Daquele Beijo” (Blow-Up), no encerramento do Festival de Cinema de Cannes(...)
“Depois Daquele Beijo”, assim se chama no Brasil o filme Blow-UP, é o seu segundo filme colorido. Desta vez Antonioni, que não gosta de estudar as cenas que vai filmar, preferindo sempre chegar ao lugar do trabalho e resolver os problemas que se apresentarem, foi para a cidade em que se desenrola a história - Londres - e lá constatou que poderia fazer um filme-festival(...)
Que é o novo filme de Antonioni? Uma história quase sem fio, que ele desenvolveu, esteticamente, em algo que canalizará muitas libras, dólares, liras, francos, pesos e cruzeiros para os cinemas que o lançarem (...)
No elenco destacam-se as interpretações de Vanessa Redgrave (filha do excelente ator Michael Redgrave e irmã de Lynn Redgrave, a premiada em Georgy, a Feiticeira), David Hemmings e Sarah Miles. Os modelos liderados por por Verushka são figuras de destaque na atmosfera de vanguarda que caracteriza o filme.”

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Jack Kerouac



Uma noite eu sonhei que era Jack Kerouac
mandando brasa nas estradas do mundo
Subi no terraço: Rua Houston
e vi as torres gêmeas brilhando
o pelo louro da menina
as tranças negras do crioulo
sua guitarra, sua angústia calma
Peguei a lata de spray, desci pra rua
e pintei dois olhos verdes nas paredes
Ontem à noite sonhei que conversava com Jack Kerouac
Ele me disse que renascia negro, tocador de piston
e seu sopro era tão alto
que despertava todo mundo
Eu acordei mandando brasa nas estradas do mundo

Júlio Barroso

sábado, 10 de abril de 2010

Minha Vida com os Beatles


Minha mais recente aquisição literária é o livro Magical Mystery Tours - Minha Vida com os Beatles. O que me chamou a atenção na obra, além do fato de ser mais um livro sobre os Beatles, é o fato do autor Tony Bramwell ser considerado por muitos como o cara que mais sabe sobre a banda. Na contracapa, inclusive, há uma frase de Paul McCartney: "Se quiser saber algo sobre os Beatles, pergunte a Tony Bramwell. Ele se lembra de mais coisas do que eu."
O autor foi amigo de infância de Paul, George e Ringo em Liverpool, e acompanhou toda a trajetória dos Beatles de uma forma bem mais direta do que qualquer fã, já que era amigo dos componentes, trabalhou com a banda, e tinha acesso a eles. Ainda não li o livro, apenas a orelha e o texto de contracapa. O texto da orelha diz:"Dos primeiros vídeos musicais dos Beatles até a direção da Apple Films, dos passeios de bicicleta e troca de discos com George Harrison até trabalhar e divertir-se com todos os Beatles, Hendrix, Ray Charles e o The Who, a vida de Tony realmente envolveu todas as faces do rock'n roll."
Eis o texto de contracapa:
"Imagine ser amigo de infância de George Harrison, Paul McCartney e John Lennon e, além de crescer com eles, ser convidado para trabalhar junto com a banda mais famosa do mundo, os BEATLES! Isso aconteceu com Tony Bramwell, que encontrou com George no segundo andar de um ônibus em Liverpool, em 27 de dezembro de 1960, a caminho de um show dos"Beatles- Direto de Hamburgo". Desse momento mágico em diante, ele se tornou parte da história do grupo e acompanhou a ascenção meteórica dos quatro rapazes que se tornaram astros do rock and roll. De modo direto e articulado, Tony compartilha suas memórias e conta novos fatos sobre a infância, a família e o dia-a-dia da banda.
Você também irá conhecer uma faceta pouco comentada sobre a vida do Fab Four: os bastidores das negociações empresariais, e descobrir como a falta de experiência de Brian Epstein, o empresário dos Beatles, fez a banda deixar de ganhar muitos e muitos milhões de dólares."

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Poeira tropicalista no Sesc




Dando prosseguimento ao projeto A Irreverência da Tropicália, desenvolvido pelo Sesc Campos, ontem aconteceu o show da banda Poeira D'Água, que trouxe ao público sua visão do movimento musical tropicalista. Formada por Faustho Terra Tupy (violão e voz), Lutte Oliveira (idem), Dani Nunes (voz) e Renato Arpoador (percussão), a banda praticamente fez sua estreia nos palcos da cidade. Uma apresentação anterior aconteceu, mas somente com a música O Maquinista do Tempo, classificada em terceiro lugar no Festival Estudantil de Música, promovido pela prefeitura de Campos. Do grupo também fazem parte Jorge Maravilha (percussão), Sérvullo Sotto (baixo) e João Felipe Veloso (bateria), que não participaram do show devido ao formato adaptado para o evento, acústico e mais intimista.
O show apresentado pela banda, além da música, trouxe textos e informações históricas sobre o movimento, para ilustrar a inclusão de certas músicas, o que enriqueceu a apresentação.
A banda abriu o leque das influências que o tropicalismo exerceu nos anos posteriores ao exílio de Caetano e Gil, considerado como o fim oficial do movimento. Na verdade, a Tropicália de uma certa forma continuou a existir, pois a estética criada pelos baianos continuou rendendo frutos. E foi basicamente essa influência pós-tropicalista que o Poeira D'Água apresentou em seu show.
Baby, de Caetano, deu início ao show, em uma bela e pessoal interpretação. Em seguida foram mostradas outras tantas composições que trazem as marcas da influência tropicalista, mesmo tendo sido lançadas pós-68. Jorge Ben, por exemplo, mesmo não tendo sido considerado oficialmente um tropicalista não poderia ficar de fora, e Zazuera caiu bem dentro do contexto do show, assim como Maracatu Atômico, representando Jorge Mautner, que na verdade só não participou do movimento por na época estar nos Estados Unidos, e depois veio a conhecer Gil e Caetano em Londres. Tom Zé, que fez parte do grupo tropicalista, teve escolhida a composição Menina Amanhã de Manhã, gravada originalmente em seu disco de 72, e depois regravada em 76 no disco Estudando o Samba. Gil, logicamente não poderia jamais ser esquecido, e o Poeira D'Água apresentou duas composições do mestre, aliás, muito bem interpretadas e apresentadas: Aquele Abraço e Back in Bahia. A fala de Faustho, explicando o contexto histórico das duas músicas, ilustrou bem o tom antagônico que elas exercem na história pessoal do autor. Enquanto a primeira foi composta pouco antes da partida para Londres, apesar do tom alegre (a alegria mostrada na letra é em virtude de sua libertação da prisão), a segunda fala sobre sua volta ao Brasil, mais precisamente à Bahia.
O período do exílio foi muito bem ilustrado também por uma fala de Faustho, quando foi relatada a visita feita por Roberto Carlos a Caetano em Londres em 68, e que acabou gerando a composição Debaixo dos Caracóis de Seus Cabelos, de Roberto e Erasmo, também apresentada - uma comovente canção em solidariedade a Caetano, e por extenção também a Gil.
Em seguida, a banda prestou uma bela homenagem aos Novos Baianos, filhos diretos do Tropicalismo, talvez os melhores representantes de toda uma geração de músicos que bebeu na fonte, e soube tirar proveito da enorme riqueza deixada pelos tropicalistas. Preta Pretinha, Sorrir e Cantar Como Bahia, Eu Sou O Caso Deles (uma de minhas preferidas), Mistério do Planeta, A Menina Dança, Brasil Pandeiro e Besta É Tu em interpretações pessoais e adaptadas ao formato intimista da apresentação encerraram o show. No bis, o Poeira fugiu do roteiro e apresentou uma composição própria, Quizumba no Sarapatéu (não sei se o nome é esse. Se não for, me corrija, Faustho).
Mesmo sem estar com sua formação completa, em um show não autoral, o Poeira D'Água em sua primeira apresentação nos dá uma mostra que vem mais coisa boa por aí.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O grande azarado no meio do caos


Às vezes eu me acho o sujeito mais azarado do mundo. É lógico que essa afirmação traz uma grande dose de exagero, mas em certas circunstâncias ela até procede. Estou de licença-prêmio há mais de dois meses, e desde de que tirei minha licença, fiz planos de fazer uma viagem ao Rio. Esse plano foi adiado primeiramente devido ao enorme calor que fez nos meses de verão, e que acabava me desestimulando a viajar, depois outros fatores me impediam de sair da cidade. Resolvi então fazer minha viagem à Cidade Maravilhosa justamente ontem, quando caiu a maior tempestade desde 1966, segundo os jornais. Meu plano era fazer uma viagem curta, de apenas dois dias, tempo suficiente para comprar alguns itens, visitar um amigo e fazer alguns programas culturais.
A coisa começou a dar errado desde que desci na rodoviária para comprar a passagem e embarcar. Sempre costumo comprar a passagem na hora, porém nessa segunda muita gente ainda voltava do feriadão da Semana Santa, e só havia passagem para as 10:30h, quando sempre costumo sair daqui por volta das 08:00h. Pra piorar, quando fui pagar minha passagem com meu cartão Rio Card, o bilheteiro me comunicou que o mesmo não tinha crédito suficiente. Como estou de licença e pouco tenho usado meu cartão, não foi feita a recarga automática. Tive que pagar do meu bolso. Como se isso fosse fosse pouco, a viagem foi péssima. A cada posto de pedágio, o ônibus, que tinha alguma irregularidade quanto ao pedágio (viva a Empresa 1001!), perdia longos minutos até ser liberado, e foram quatro paradas. Uma viagem que leva normalmente pouco mais de 4 horas levou 5 horas e meia.
Ao chegar ao Rio, devido à hora, resolvi fazer minhas compras antes de deixar minha bagagem no hotel. O tempo estava nublado e chovia pouco. Estava no centro do Rio, e após fazer ums compras em um shopping, fui ao sebo Berinjela, onde sempre vou. Lá tive a felicidade de encontrar um cd que procurava há anos, e nunca consegui: o terceiro disco do guitarrista Carlos Santana, e por apenas 15 reais. Foi o que valeu minha viagem.
Só ao sair do sebo é que vi que chovia, e muito. Peguei meu guarda-chuva, e com minha mochila nas costas resolvi encarar a chuva e ir a pé até o hotel, que ficava próximo. Mas chovia muito. Uma chuva que não via há anos. Parecia qie o mundo estava desabando. Era muita água, e um vento forte, que tornava o guarda-chuva quase inútil. Além do mais, por meu guarda-chuva ser daqueles dobráveis, o vento forte o danificou. As ruas começavam a se alagar, e eu minha mochila já estávamos completamente molhados. O caos já estava formado por volta das seis da tarde, e chegar ao hotel, fugindo dos alagamentos era cada vez mais difícil. Os ônibus, em virtude das ruas alagadas, não chegavam a seu destino, e as filas eram quilométricas. Ao ver as enormes filas até me senti privilegiado por não depender de condução para chegar a meu destino. Cheguei ao hotel que nem um pinto molhado, e ao entrar no quarto vi minha bagagem completamente enxarcada. Não só a roupa que eu usava, mas a que estava dentro da mochila também estava bem molhada. Meus tênis e minhas meias então, nem se fala. O enorme rio que tive que atravesar a pé os deixou em péssimo estado. Um livro escrito pelo ex-mutante Arnaldo Batista (Rebelde Entre Rebeldes) que eu havia levado para ler no hotel estava em estado deplorável. Tentei fazer o que pude, enxugando as folhas com a toalha, até que em casa eu pudesse usar um secador de cabelo, a melhor alternativa nesses casos.
Só me restou ir dormir às nove horas, na falta de outra coisa melhor pra fazer, enquanto a chuva não parava. Hoje pela manhã, resolvi voltar pra casa no primeiro ônibus que encontrasse na rodoviária. A chuva ainda caía forte e o caos no Rio continuava. Os ônibus escassos circulavam entupidos de passageiros. Após esperar longos minutos consegui um coletivo que me lavasse à rodoviária. Finalmente chegando lá, de bermudas e sandálias havaianas, pois os tênis e a única calça que havia levado estavam ainda sem condições de uso, fui informado que os ônibus estavam fora de circulação até pelo menos até as 13:00h, e a ponte Rio-Niterói estava interditada, e era por volta das 08:30h. Depois das nove os guichês voltaram a funcionar, e então consegui uma passagem para as 13:30h, ou seja, fiquei 4 horas esperando na rodoviária.
Essa foi minha tão planejada viagem ao Rio. Pelo menos eu trazia na minha bagagem o tão sonhado e desejado cd de Santana, que nada sofreu, por estar numa embalagem plástica. Pensando bem, até acho que sou um cara de sorte. Daqui a pouco vou ouvi-lo.